Esmola, filantropia, caridade

Davilson Silva-

Doar coisas materiais tem o seu valor; todavia, poucos o fazem por desprendimento, movidos apenas pelo desejo de doar do que lhe sobra, ou pelo interesse de prestígio, poder, riqueza, etc.

Em geral, entende-se por caridade a esmola que se dá ao pobre, ao indigente. Sem dúvida alguma, dar esmola não deixa de ser um gesto de compaixão despertada pelo infortúnio, pela carência do próximo.

O rei Luís I de Portugal e da Rainha Maria Pia, dando esmolas aos pobres,  no Porto, em 1872. 
Tela a óleo de Leonel Marques Pereira (1828-1892)
Esmola é o mesmo que filantropia? Não. Filantropia tem a ver com solidariedade humanista, o que não deixa de ter certo grau de amor ao próximo, ao destinarem alguns homens altas somas aplicadas em obras de importância social ou em benefício de diversos setores da Ciência, da Arte, da Higiene, enfim, do Humanismo. Agora, caridade, como a entendemos, é produto da fé, portanto, diferenciando de esmola e filantropia como vulgarmente se compreende.

Aumenta o número de filantropos 

Filantropos muito ricos do passado, tais como Henry Ford, John Rockefeller e outros benfeitores, tornaram efetivas grandes contribuições em prol dos que não possuem os bens necessários, pessoas carentes de diversos cantos do planeta. Cresce, nos dias de hoje, o número de empresários filantropos, bilionários que resolveram seguir o exemplo de Warren Buffett e de Bill Gates, os quais também como estes, se dispuseram a doar metade de suas fortunas acumuladas em toda a sua existência.

Então, esmola não diz respeito a filantropia nem caridade? Não. Esmola consiste na oferta casual de um donativo monetário em benefício do pobre, do mendigo, enfim, de quem padeça privações. Doar coisas materiais tem o seu valor; todavia, poucos o fazem por desprendimento, movidos apenas pelo desejo de doar do que lhe sobra, ou pelo interesse de prestígio, poder, riqueza, etc. Neste passo, indivíduos vaidosos, mesmo os traficantes de drogas, os políticos corruptos, os tiranos e outros podem ser vistos como filantropos e até caridosos.

Independe de

O ato da esmola ou da filantropia em favor do aspecto social da vida coletiva, interessado também na produção e transmissão de conhecimentos, na criação intelectual e artística, etc., difere da genuína caridade. Esmola, filantropia independem da fé, e essa caridade é impossível sem ela; uma não sobrevive sem a outra. A caridade autêntica, isto é, a sublimada, só uma fé inabalável, sincera pode inspirá-la; aquele que a possui jamais vacila ante a inveja, a maledicência, a ingratidões.

Em suma, a caridade sublimada oculta a mão que socorre, não espera recompensa. Além de caridade material, ela pode ser caridade moral: o benfeitor tem todo o cuidado de não ferir o amor-próprio do beneficiado ao lhe ofertar algo. Já o ato sem nenhum intento do bem pelo bem da esmola e da filantropia só terá como resposta o reconhecimento efêmero do bajulismo ou do aplauso hipócrita. Somente a referida caridade faz a pessoa fruir de indizível e profunda alegria que, por si só, já é uma bela e cariciável recompensa.

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