O pensamento espírita

Davilson Silva-

A seta indica na foto a localização do nosso Sol
("Sun") e o seu Sistema Solar na Galáxia da Via
Láctea, ou Galáxia Via Láctea, ou apenas Via
Láctea, em um ângulo bastante distinto. A Via
Láctea é uma estrutura constituída de cerca de
200 bilhões de estrelas (algumas estimativas
dobram esse número em torno de 400
bilhões), tendo uma massa de cerca de
um trilhão e 750 bilhões de massas solares.
Calcula-se sua idade entre 13 e 13,8 bilhões de
anos, embora alguns autores afirmem estar
na faixa de quatorze bilhões de anos. Uma das
incontáveis obras da Suprema Inteligência,
Deus, causa primeira de todas as coisas,
O que nada faz de inútil, nem por "acaso"
ou por "mero capricho".
Deus — Para o Espiritismo, a prova da existência de Deus concentra-se nos fatos da Sua própria criação. “Não há efeito sem causa”, já dissera Voltaire. O Universo é obra de uma suprema inteligência, que é Deus, e não “obra do acaso”, não existe acaso inteligente. O Deus dos espíritas não é um ser constituído à imagem e semelhança do homem como o das religiões. Ele é causa única e precípua de todas as coisas, a suprema inteligência, perfeito, eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e, sobretudo, soberanamente justo e bom. Deus está acima de tudo e jamais sujeito a mudanças, às imperfeições humanas.

Jesus Cristo não é Deus, segundo o pensamento espírita, pois, Ele nunca afirmou uma só vez nos quatro evangelhos que era. Jesus desceu à Terra para nos ensinar como se deve realmente amar a Deus. Conforme o que os Espíritos disseram a Kardec, Ele representa o tipo mais perfeito de moralidade que veio ao mundo a fim de, principalmente, nos servir de modelo. O orgulho e o egoísmo dos homens do Seu tempo não O entenderam, ou não quiseram entender: levaram-No ao suplício máximo no Gólgota para, depois, virem “outros” para escrever coisas que Ele jamais diria ou faria, e ainda por cima, transformando-O em chefe de religião, adorado em celebrações, em cortejos de lamúria e suposto arrependimento.

Imortalidade da alma — Filhos de Deus e seres imortais, do lugar de onde viemos, antes de nossa mãe nos dar à luz, é que é o nosso verdadeiro lugar, o mundo espiritual: eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo onde ora existimos, secundário, poderia nem existir ou nunca ter existido sem que alterasse a essência da nossa origem.

Reencarnação — Jesus veio ao mundo a fim de também confirmar a nossa imortalidade, demonstrando a d'Ele. Se tivéssemos uma só existência, pra que a imortalidade?!... Ao possuir livre-arbítrio, ou seja, disposição inata de escolha entre o Bem e o Mal, nós, enquanto Espíritos encarnados e alunos da escola terrena, precisamos ir de uma para outra série da evolução espiritual e intelectual, submetendo-nos a inevitáveis provas, ampliando os meios de desenvolvimento e fortalecendo-nos para o futuro.

Como qualquer aluno que no ano letivo não se aplicou aos estudos, não se preparou direito, por isso reprovaram-no, o Espírito repete o ano de sua existência por ter feito mau uso da liberdade concedida por Deus; não raro, ele vê tudo como um castigo.

Mas, “castigo”, não passa de corrigenda para fins do próprio aperfeiçoamento do “repetente”. Deus dá nova oportunidade a quem falhou. Ele não pratica retaliações nem castiga ninguém, e concede aos maus alunos da escola da vida uma nova chance. Em suma, a Lei de Reencarnação, de ordem divina, o Espiritismo nela se baseia para mostrar o quanto o nosso Criador é bom e justo. Sem essa lei, Deus deixaria de ser bom e justo, e ainda por cima, não seria melhor que certos homens.

Esquecimento do passado —  A não-lembrança de decorridas existências faz parte da misericórdia e saber divinos, e essa falta de lembrança é apenas enquanto aqui vivemos. Se nos viesse à memória todo o mal que praticamos ou tudo o que nos fizeram sofrer, lembrando-nos das pessoas por nós prejudicadas ou das que nos prejudicaram, não daria para conviver com elas; muitas vezes, vítimas e algozes de ontem vivem hoje juntos, em familiaridade  sob um mesmo teto na figura de filho, de irmão, de um pai ou de uma mãe (note que a grande maioria dos grupos familiares tem sempre algum tipo de problema de relacionamento).

Deus criou a Lei da Reencarnação e, assim, todos podem reparar os problemas do pretérito. Certamente que, hoje, estamos expiando o mal que fizemos aos outros, em alguma existência anterior, a sofrer-lhes as consequências dos prejuízos a eles causados ou recebendo-lhes o amparo pelos danos que nos causaram.

A família consanguínea constitui-se na mais importante instituição terrestre. É nessa instituição onde se inicia o reatamento de laços interrompidos. Deus cujas leis são todas soberanamente sábias, nada faz de inútil. Pelas reencarnações, os Espíritos se reencontram, daí a sublime finalidade dos laços familiares.

Comunicabilidade dos Espíritos — Espíritos não passam de seres humanos desencarnados. Estar desencarnado é estar desligado, em razão da morte, do corpo físico. Enquanto aqui eles permaneceram, foram: bons ou maus; sérios ou brincalhões; trabalhadores ou preguiçosos; cultos ou medíocres; humildes ou arrogantes, preconceituosos; verdadeiros ou mentirosos, maledicentes, hipócritas.

Eles se encontram em toda parte, e, jamais ociosos, não ficam se movendo no ar, alados, ou sentados em nuvens, de auréola e tudo. Não há espaço fixo para os Espíritos. Em geral, os mais imperfeitos juntam-se a nós, atraídos por nossas imperfeições, pelo nosso pensamento negativo, por nosso orgulho e egoísmo. Não vemos eles com facilidade, pois se encontram numa dimensão existencial bastante sutil, diferenciada da nossa; mas, eles podem nos ver e perceber o que pensamos, sentimos.

Os Espíritos agem sobre nós. Essa ação, geralmente, restringe-se ao pensamento por eles não conseguirem agir direto na ambiência física. Em vista disso, precisam de pessoas com recursos especiais. Essas pessoas chamamos de médiuns. Pelo médium, Entidades desencarnadas podem se comunicar e agir na matéria. A qualidade boa ou má das comunicações depende da conduta moral de cada médium; se pessoa honesta em pensamentos e sentimentos, alguém bondoso, desprendido, humilde, os bons Espíritos dele se utilizarão para esclarecer e impelir os homens ao Bem, à fraternidade. Exemplo de médium bondoso, simpático aos bons Espíritos: Francisco Cândido Xavier. Chico Xavier deu belíssimos exemplos de respeito pelo próximo, pela vida e justificou a sua profunda confiança em Jesus.

Fé raciocinada —  Para que se assimile bem uma ciência é preciso o uso do raciocínio. A crença sem raciocínio não passa de crença cega, e esse tipo de crença é a que leva às superstições, ao preconceito, ao ódio, à vingança e a ideias e atitudes ridículas, absurdas, tanto aceitando o falso quanto o verdadeiro. Antes de aceitarmos algo como verdadeiro, devemos analisá-lo bem. Muitos acreditam nas coisas da espiritualidade sem nada verificar, por esse motivo, muitos tiram vantagem, aproveitam-se dos incautos, sua presa fácil. A fé espírita, pelo contrário, tudo examina, é a fé racional que nada teme do progresso do conhecimento das coisas, do avanço, das conquistas da Ciência. Allan Kardec exclamou: Fé inabalável só é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade. Tal é a fé espírita.

Lei da evolução  Nunca é demais lembrar: caminhamos para Deus... A vida na Terra, meu amigo ou minha amiga, significa oportunidade de reajuste na trilha do bem. Quer o amigo ou a amiga acredite, quer não acredite, pedimos sim para aqui renascer; pedimos, não, imploramos!!! As consequências boas ou más partem de nossa própria vontade, e todos estamos sujeitos à Lei de Causa e Efeito.

Não há Céu nem Inferno conforme as religiões conservadoras têm apregoado ao longo dos séculos. (Por sinal, se Céu e Inferno existissem, consoante dogma da Igreja, lugar de santo e de anjo não seria nesse céu improdutivo e enfadonho, e sim no Inferno; lá deveriam estar em auxílio aos infelizes...) Não há anjos nem demônios, mas apenas Espíritos bons e Espíritos maus, ambos, do mesmo modo, a caminho da perfeição — os bons se tornando melhores, os maus regenerando-se. Deus não deseja a ruína de ninguém; Ele prescinde de lisonjas, de louvores, de oferendas; somente deseja o cumprimento da Sua lei de amor e caridade; nada mais.

Outros conceitos e significados — Cada qual tem a oportunidade merecida. Disse Jesus, o também denominado Mestre Nazareno: “Ninguém poderá ver o Reino dos Céus se não nascer de novo”. Referiu-se Ele ao renascimento do Espírito num corpo e, por conseguinte, ao seu imprescindível renascimento moral. Como vimos, a existência no mundo é sempre novo ensejo de reconciliação com os ideais superiores do bem e da verdade.

Seguir a Jesus para o espírita sincero significa, além de captar-Lhe o ensino, senti-lo em profundidade segundo o espírito, e não segundo a letra, e isso deveria ser objeto de todos os que se dizem cristãos. De que adianta você demonstrar que é desta ou daquela crença, garantir que aceitou a Jesus, e discriminar os outros por não entendê-Lo sob o mesmo ponto de vista seu? De que vale ter escrito belíssimas páginas, feito inspiradas palestras, realçando-Lhe as virtudes, se permanece egoísta, orgulhoso; de que vale viver com o nome de Deus, de Jesus na boca, cantar-Lhes hinos, canções de louvor, se você é maledicente, condena o próximo, ao “ver-lhe no olho o argueiro” em vez de “ver a trave no seu próprio olho”. Mais que a fé, é a prática da caridade e amor ao próximo, e como disse o amoroso Apóstolo Tiago, fé sem obras não passa de fé morta...

Recomendou Jesus amar o próximo como a si mesmo. Amar o próximo como a si mesmo quer dizer: faça a ele o que deseja que ele lhe faça, ou seja, o bem que deve ser estendido aos animais, à Natureza. Veja, o próximo pode ser um ente consanguíneo sob o mesmo teto, um parente, um amigo, assim como qualquer estranho à sua consanguinidade. Todo mundo, espírita ou não-espírita, deve ser honesto em pensamentos, sentimentos e atos, procurando tornar-se cada vez melhor.

E faz melhor quem com rigorosidade procede consigo mesmo, e não com os outros, quem ampara o pobre, socorre o desesperado e aflito, o enfermo, a velhice e a infância desamparadas. Segundo pensamento espírita e de acordo com o Evangelho moral de Mestre Jesus, a salvação independe de rótulo religioso; o indispensável é a observância da Lei de Deus em sua plenitude.

Fora da caridade não há salvação — O Espiritismo não estabelece: Fora do Espiritismo não há salvação, e como não pretende ser o dono da verdade, ele não afirma: Fora da verdade não há salvação, máximas que afastam as pessoas umas das outras, em vez de aproximá-las ou de mantê-las juntas. Fora da caridade, esta máxima de autoria de Kardec, sim, é que não há salvação porque, com base num texto do Apóstolo Paulo (Coríntios, 13:1 a 7 e 13), ela dá sentido abrangente e proporciona a todos os filhos de Deus o acesso à verdadeira e suprema felicidade, o nosso destino.

A caridade de que trata o Espiritismo compreende desde a doação de uma moeda” até o ato de se perdoar o inimigo. Perdoar inimigo é o que os espíritas chamam de caridade moral visto que tem como princípio a Humildade, o maior e mais importante sentimento. A humildade dá princípio às outras virtudes e nivela todos os homens como irmãos, induzindo-os ao auxílio mútuo, à prática do bem, por isso Jesus a colocou em primeiro lugar nos itens das Bem-Aventuranças (Mateus, 5:3); para Deus, ninguém pode ser caridoso e, ao mesmo tempo, arrogante, presunçoso, alguém que desconsidera os interesses alheios, por amor excessivo ao bem próprio, e que ainda por cima julga, condena, faz acusações falsas do próximo.

Estude a Doutrina — Reiterando o conselho da página anterior, estude as obras da Codificação Kardequiana para se inteirar, entender melhor as razões de tudo o que foi aqui explicado e dado como certo. Comece a ler O Que é o Espiritismo, em seguida O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868). Depois, é só se inscrever num curso de Doutrina Espírita, e seja feliz sob as bênçãos de nosso Pai Celestial que nos ama indistintamente. 

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