De mil passará, mas de 2012...

Davilson Silva-

Enfim, vaticínios e mais vaticínios não faltaram nesses últimos séculos; nada aconteceu. Eis o 2013, e no You Tube ainda há quem reedite essa balela que não passa de brincadeira de mau gosto. 

De mil passará, mas a dois 
mil não passará”  seria uma 
das muitas previsões  
do famoso clarividente 
Nostradamus.
De modo figurado: “Mais um ano se foi”. Sim senhor! Quanto a História da Humanidade não tem para contar às gerações vindouras? Que séculos notáveis os quatro últimos, sobretudo esses mil anos passados! Lembra-se? O século 21 teve início em 2001! Dois mil simbolizou o portal do terceiro milênio; dava impressão de uma grande façanha transpô-lo; e não era pra menos!

Lembra-se daquela frase apocalíptica de que se valiam certos religiosos: “De mil passará, mas a dois mil não passará”? Muitos achavam que se cumpriria tal conjetura. Havia um quê de mistério e, ao mesmo tempo, de angústia, haja vista a Guerra Fria, a iminência de uma chacina provocada pela explosão nuclear. Enfim, vaticínios e mais vaticínios funestos não faltaram nesses últimos séculos; nada aconteceu. Eis o 2013, e no You Tube ainda há quem reedite essa balela apocalíptica que não passa de brincadeira de mau gosto.
  

De 2012 já passamos, e como!

Em todos os cantos do globo civilizado, mais uma vez, repetiu-se o evento. Uma beleza renovada a festa em Sidney, Paris, Nova York, Rio de Janeiro, São Paulo! Milhões de pessoas brindaram o tão esperado momento em meio às imagens cada vez mais suntuosas dos espetáculos pirotécnicos, dos shows de cantores famosos, da euforia plena de esperança e das lágrimas de emoção estampadas nos semblantes de americanos, europeus, asiáticos, africanos, oceânicos, de ricos e pobres; um delírio. (E recordei o trecho de um samba, na inesquecível voz da cantora Clara Nunes: “E o povo até pensou que já era feliz”...)

O que falta ver, saber, descobrir e fazer neste mundão veio de Deus, na expressão do nosso típico e simpático caipira do interior paulista? Que falta o homem inventar nesse “mundão” tão sofrido? O mais importante: quando vamos minimizar o analfabetismo, os preconceitos, a intolerância, a violência generalizada, a exploração da mão-de-obra infantil, a fome de muitos deste nosso orbe passageiro? Quando vão dar um basta nessa situação vergonhosa, desumana que ocorre há décadas em hospitais públicos das cidades brasileiras, haja vista a ocorrência da pobre menina Adrielly do Santos, de 10 anos, baleada na cabeça (bala perdida), vindo a falecer no fim do ano passado por causa da falta de atendimento médico?

Mas continuemos com o transcorrer dos tempos... A nossa morada transitória sempre foi assim: um entra-e-sai danado de Almas, e desde os primeiros grupos sociais da era plistocena, há cerca de 500 mil anos, antes do holoceno (10 mil anos atrás), iniciam-se e terminam as datas. Naturalmente, o homem de Java, o pitecantropo não davam a mínima pra réveillon...

Vale dizer que a contagem dos anos teve início no antigo Egito, quatro mil anos antes de Cristo (a.C.) para fins religiosos, em função também de necessidades econômicas. Havia muita enchente no Rio Nilo do qual dependia toda a economia egípcia, essencialmente agrícola, sendo fundamental a previsão dos períodos de cheia naqueles vales férteis, favoráveis à plantação, às margens do rio. Foi observado certa coincidência: as inundações ocorriam sempre quando a estrela Sírios aparecia no céu, ao anoitecer. Ao se contar a sequência dos dias até o acontecimento do fenômeno, chegavam a 365 dias e um quarto.

Calendário regressivo

Réveillon 2013, Praia de Copacabana, Rio 
de Janeiro, Brasil. (Riocom Eventos/Divulgação.) 
E por falar em calendário, o gregoriano, o nosso, isto é, aquele confeccionado a partir do nascimento de Jesus Cristo, datado do século VI, período anterior ao nascimento dele, é contado regressivamente. Uma curiosidade: os nomes dos meses originaram-se da tabela de tempo romana a começar de março, primavera europeia, cujo ano 754, da fundação de Roma, corresponde ao primeiro ano da era cristã, fixado pelo monge Dionísio Exíguo, em 525, quando da escolha do 25 de dezembro do ano 753 do sistema de divisão de tempo romano.*

Muitas datas foram fixadas ao longo da evolução humana, a pré-história e a historia explicaram que as culturas se fundiram com o tempo, tivemos revoluções consideráveis no campo das fases ou estágios do processo histórico. Atravessamos a Idade do Bronze, a Idade do Ferro, o feudalismo, descobrimos o Novo Mundo e traçamos a rota para a Índia e o Extremo Oriente. Reinos, impérios e outras formas de governos passaram; guerras, revoluções e conquistas ficaram para trás. Quem poderá desconsiderar os fatos da Idade Contemporânea! Agora: o ônibus e as sondas espaciais, a Internet, a vacina contra o câncer à caminho... E aguardemos grande êxito no campo espiritual.

Nós, Espíritos eternos, encarnados e desencarnados, por ora permanecemos cativos do ilusório lapso de tempo terrestre, nada disso tendo a ver com as modificações somáticas de nosso veículo temporário. Em verdade, os calendários só têm mesmo serventia enquanto permanecemos ligados à esfera da materialidade planetária. Escreveu Pedro de Camargo (Vinícius): “Passado é apenas a lembrança de condições inferiores por onde já transitamos; e o futuro não é mais que a esperança de melhora de nossa situação; o presente, eis a realidade”.

Portanto, caro leitor ou cara leitora, de mil de há muito já passamos, mas de 2012 passamos mais ainda! FELIZ 2013!! Sigamos em frente, sem dar a mínima para previsões apocalípticas do fim do mundo, com prosperidade material e, principalmente, espiritual, esta sim, porque a verdadeira riqueza do homem são as virtudes do coração que jamais se acabam assim como você, Ser imortal, que habita um corpo perecível.

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*O calendário gregoriano procede do calendário juliano (102/44 a.C.), introduzido pelo Papa Gregório XIII (1502/1585), no qual em cada quatro anos há um ano bissexto, com exceção dos anos seculares, em que o número formado pelos algarismos das centenas e dos milhares não é divisível por quatro. Já o romano, que foi criado antes do juliano e não obedecia a regras fixas, tendo dez meses.

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